27 de jul. de 2015

ÚLTIMO GOLE


Longe de ter acabado num único golpe
Mas, aquele era o último gole daquela bebida amarga.
Naquela quinta feira proclamou para si mesma a decisão:
Aquele era sim o último gole daquela bebida amarga!

Não! Ela não se rendeu ao gole figurado por um flash back,

Não se tratava de uma falida tentativa física de resgatar ou se despedir de um desejo,
Era para ela o sepultamento daquele sentimento unilateral, monótono e não correspondido!

Aquela quinta feira era mais uma na sua rotina sabotada.

Diferente, apenas, pelo fato dela ter decidido não mais impedir, retardar ou interromper o seu destino.
Era preciso deixar ir o que fisicamente não estava mais ali. 

Saboreou o último gole daquela bebida amarga, como quem bebe um vinho selecionado de uma edição limitada.

Descartou a embalagem para não deixar vestígios do passado
E, simplesmente, deixou ir. Como quem desembarca numa estação a espera de um novo trem!


[Juliana Brito Rodrigues, em 24.07.2015]