27 de jul. de 2015

ÚLTIMO GOLE


Longe de ter acabado num único golpe
Mas, aquele era o último gole daquela bebida amarga.
Naquela quinta feira proclamou para si mesma a decisão:
Aquele era sim o último gole daquela bebida amarga!

Não! Ela não se rendeu ao gole figurado por um flash back,

Não se tratava de uma falida tentativa física de resgatar ou se despedir de um desejo,
Era para ela o sepultamento daquele sentimento unilateral, monótono e não correspondido!

Aquela quinta feira era mais uma na sua rotina sabotada.

Diferente, apenas, pelo fato dela ter decidido não mais impedir, retardar ou interromper o seu destino.
Era preciso deixar ir o que fisicamente não estava mais ali. 

Saboreou o último gole daquela bebida amarga, como quem bebe um vinho selecionado de uma edição limitada.

Descartou a embalagem para não deixar vestígios do passado
E, simplesmente, deixou ir. Como quem desembarca numa estação a espera de um novo trem!


[Juliana Brito Rodrigues, em 24.07.2015]

10 de mar. de 2015

CLOSED

De maneira despretensiosa a história se repetia pela quarta vez. E não demorou jurar, para sempre, ser a última. Não havia lógica ou exatas para explicar tantos recomeços e fins iguais para ela.

Indolor? A olhos nus... com um pouco de sentimento era possível radiografar um coração com três remendos e um novo machucado. E com que avidez se machucou, se permitiu ferir dessa última vez, e agora sofria novamente. Parecia jamais ter passado por aquela faculdade,  exarcebada experiência poderia se comparar a uma universidade.

"Sinto muito!" Essa frase soava tão alto nos seus pensamentos mais silenciosos. Novos jeitos iguais de chegar... diferentes jeitos de estar e partir... mas todos rasgavam a alma dela, tamanho estrago para cada batida da porta deixada entreaberta. "Sinto muito!" Era tudo o que ela conseguia se pronunciar em desculpas.

E o espaço ficou cheio de vazio novamente. Mas, a porta de entrada agora estava fechada. E como as antigas "vitrines" de uma galeria pacata qualquer daquela localidade, pendurada por uma correntinha, dizia a placa: "Closed reception!"


[Juliana Brito Rodrigues, em 10.03.2015]


6 de fev. de 2015

MOVIMENTO ALVOROTADO


Um longo lapso de anos,
Várias estações de vida,
Várias estações na vida.
Entre idas e somente idas
Embarques, desembarques,
Chegadas e partidas.
Algumas marcas do percurso no vento,
Desse movimento alvorotado do tempo
Que dissimula alegrias repentinas,
Que induta as lágrimas da alma
Pelas crenças do que inexistia
E só o coração julgou que havia.
Nenhuma razão. Ilusão!
Nasceu enlaçada com a solidão.
[Juliana Brito Rodrigues, em 06.02.2015]