10 de mar. de 2015

CLOSED

De maneira despretensiosa a história se repetia pela quarta vez. E não demorou jurar, para sempre, ser a última. Não havia lógica ou exatas para explicar tantos recomeços e fins iguais para ela.

Indolor? A olhos nus... com um pouco de sentimento era possível radiografar um coração com três remendos e um novo machucado. E com que avidez se machucou, se permitiu ferir dessa última vez, e agora sofria novamente. Parecia jamais ter passado por aquela faculdade,  exarcebada experiência poderia se comparar a uma universidade.

"Sinto muito!" Essa frase soava tão alto nos seus pensamentos mais silenciosos. Novos jeitos iguais de chegar... diferentes jeitos de estar e partir... mas todos rasgavam a alma dela, tamanho estrago para cada batida da porta deixada entreaberta. "Sinto muito!" Era tudo o que ela conseguia se pronunciar em desculpas.

E o espaço ficou cheio de vazio novamente. Mas, a porta de entrada agora estava fechada. E como as antigas "vitrines" de uma galeria pacata qualquer daquela localidade, pendurada por uma correntinha, dizia a placa: "Closed reception!"


[Juliana Brito Rodrigues, em 10.03.2015]


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