27 de set. de 2012

VESTIDO ESPERANÇA


Mal decifrava a sensação
Da imagem refletida no espelho,
Estranho brilho nos olhos vultosos
Perdida entre pincéis e maquiagem.
Percebeu-se encantada mais uma vez,
E sua vaidade romântica agora tinha alvo certo.
Sim, estava novamente apaixonada
E paixão, para ela, era como um vício, uma droga!
Estava submersa em lembranças abstratas,
Sentindo o gosto do que não havia vivido?
Não, não sabia se realmente era utopia!
Não, ela não tinha certeza se desconhecia o sabor...
Mais uma vez se imaginou num conto de fadas,
Prestes a envolver seus pés em magia,
Dividida entre saltos e sapatilhas,
Vestida de pálida esperança e timidez
Saiu com vontade de dedicar amor a alguém!


[Juliana Brito Rodrigues, em 14.09.2012]


15 de set. de 2012

Incrível descartabilidade de sentimentos...


Como acreditar nas “juras de amor” dessa tal modernidade? Um dia se amam, se completam, impossível viver um sem a companhia do outro, definitivamente um não vive sem o outro. No dia seguinte aquela paixão ardente já deixou de existir a alguns séculos, se tornou exaustiva há algum tempo, sufocante.

Não, não são hipérboles... É a mais pura verdade sobre a “descartabilidade” dos sentimentos. Quem hoje ama, quer bem e não vive sem, amanhã é de ninguém ou já passou a ser de outro alguém.

Apesar da beleza da rima no casamento das palavras da frase acima, a hipótese de se sentir como copo descartável, que mata a sede, mas logo deixa de ser útil e vira lixo, não pode ser o modo mais coerente de se relacionar. A praticidade do descarte não pode interessar àqueles que verdadeiramente sentem. 

Mesmo em tempos absurdamente modernos e virtualizados, os sentimentos não são negócios.
Ou você sente, ou não sente. Ou você ama, ou não ama... E até amar requer longa prática!

[Juliana Brito Rodrigues, em 15.09.2012]

7 de set. de 2012


Viajo passos curtos no passado
Deixo sorrir lágrimas na face
Um cumprimento simbólico à solidão.

Pensamento em prantos que maltrata
A doce fantasia de amor sem fim,
Pra curvar-se diante da saudade.

Sentimentos retrô da alma à essência,
Que suave à dor ao tocar nos mistérios das lembranças
A transbordar em peito aberto, ferido de paixão.

Caminhos sem rumos, horizonte sem destino,
São aves, são sonhos, mas não tem asas,
A vagar pelos céus das desilusões.

Sentimentos puros à margem das sombras
É leve o brilho seco de suas folhas ventiladas pelo outono,
A viajar pelos desertos caminhos do coração.
[Juliana Brito Rodrigues, em 11.12.2006]