18 de nov. de 2012

SINA


Quantas vezes supor
Amar “infinitamente”,
Tantas vezes fracassar
É sina, meu coração...
Cansa proteger-se das paixões,
Cansa entregar a alma,
Deixar aberta a porta!
Quão bom seria gastar
O cálice dos sentidos
Em tons de carnaval,
Sambar sobre o afeto e esquecer
Que o desejo corre a avenida
Sem pesar quarta feira de cinzas!
Quantas vezes supor,
Amar “perdidamente” o amor
Do outro, que nem notou
É sina, meu coração...
Finar-se  e renascer de ilusão!

[Juliana Brito Rodrigues, em 18.11.2012]

27 de set. de 2012

VESTIDO ESPERANÇA


Mal decifrava a sensação
Da imagem refletida no espelho,
Estranho brilho nos olhos vultosos
Perdida entre pincéis e maquiagem.
Percebeu-se encantada mais uma vez,
E sua vaidade romântica agora tinha alvo certo.
Sim, estava novamente apaixonada
E paixão, para ela, era como um vício, uma droga!
Estava submersa em lembranças abstratas,
Sentindo o gosto do que não havia vivido?
Não, não sabia se realmente era utopia!
Não, ela não tinha certeza se desconhecia o sabor...
Mais uma vez se imaginou num conto de fadas,
Prestes a envolver seus pés em magia,
Dividida entre saltos e sapatilhas,
Vestida de pálida esperança e timidez
Saiu com vontade de dedicar amor a alguém!


[Juliana Brito Rodrigues, em 14.09.2012]


15 de set. de 2012

Incrível descartabilidade de sentimentos...


Como acreditar nas “juras de amor” dessa tal modernidade? Um dia se amam, se completam, impossível viver um sem a companhia do outro, definitivamente um não vive sem o outro. No dia seguinte aquela paixão ardente já deixou de existir a alguns séculos, se tornou exaustiva há algum tempo, sufocante.

Não, não são hipérboles... É a mais pura verdade sobre a “descartabilidade” dos sentimentos. Quem hoje ama, quer bem e não vive sem, amanhã é de ninguém ou já passou a ser de outro alguém.

Apesar da beleza da rima no casamento das palavras da frase acima, a hipótese de se sentir como copo descartável, que mata a sede, mas logo deixa de ser útil e vira lixo, não pode ser o modo mais coerente de se relacionar. A praticidade do descarte não pode interessar àqueles que verdadeiramente sentem. 

Mesmo em tempos absurdamente modernos e virtualizados, os sentimentos não são negócios.
Ou você sente, ou não sente. Ou você ama, ou não ama... E até amar requer longa prática!

[Juliana Brito Rodrigues, em 15.09.2012]

7 de set. de 2012


Viajo passos curtos no passado
Deixo sorrir lágrimas na face
Um cumprimento simbólico à solidão.

Pensamento em prantos que maltrata
A doce fantasia de amor sem fim,
Pra curvar-se diante da saudade.

Sentimentos retrô da alma à essência,
Que suave à dor ao tocar nos mistérios das lembranças
A transbordar em peito aberto, ferido de paixão.

Caminhos sem rumos, horizonte sem destino,
São aves, são sonhos, mas não tem asas,
A vagar pelos céus das desilusões.

Sentimentos puros à margem das sombras
É leve o brilho seco de suas folhas ventiladas pelo outono,
A viajar pelos desertos caminhos do coração.
[Juliana Brito Rodrigues, em 11.12.2006]

3 de ago. de 2012

Deixa ser antes de estar.
Sendo, vivo!
Estando, nem sinto...
Sentindo,
Vou curando as feridas.
Vivendo,
sem controlar as partidas.

[Juliana Brito Rodrigues, em 03.08.2012]

30 de jul. de 2012

ESTAÇÃO DA LUA

A natureza é o que nos leva a amar,
Harpas e violões entoam a luz da lua,
Repiques e tambores tocam as ondas do mar,
Ritual sagrado da noite que sou tua deusa nua!

O tempo é o senhor que me induz ao que desejas,
Flautas e sinos ressoam a brisa tênue,
Violinos e pianos orquestram o brilho das estrelas,
Templo santo das horas que és meu deus solene!

Estação de sons e paixões...sob límpidos astros da madrugada,
Tão cedo era noite...cantei tons para descobrir teus encantos.
Tão tarde, não era dia...deslizei em teu corpo em busca do teu ritmo.

Estação de paixões e sons...sinfonia do amor em clara alvorada...
Antes do último concerto da aurora eu fui sua...
Depois dos primeiros raios do sol, me vesti a espera da próxima lua...

[Juliana Brito Rodrigues, em 07.11.2006]

23 de jul. de 2012

MORRENDO DO QUE NÃO VIVI

Se eu morrer de saudade,
Que seja do teu beijo
Néctar agridoce, que não provei...
Do beijo que tanto sonhei, busquei e não encontrei!

Se eu morrer de desejo,
Que seja do teu amor
Sabor do pecado, que não gozei...
Do amor que tanto almejei, aspirei e não realizei!

Utopia, o beijo-brisa dos teus lábios macios.
Fantasia, o mel picante do teu corpo nu.
Deixa-me só, pra rever a lenda de tudo o que não senti de ti...

Se eu morrer, que seja depois da madrugada...
Que traz pra mim o imaginário de tudo o que eu queria...
Deixa-me fria, pra morrer do beijo e gozo que não vivi...que não vivi.

[Juliana Brito Rodrigues, em 30.09.2006]

22 de jul. de 2012



Aquieta coração,
Pulsas descompassado,
Acelerando explosão
De mágico desejo.

Aquieta coração,
Palpitas desgovernado,
Intuindo recorrência
De encantadora paixão.

Aquieta coração,
Arfas inquietante,
Padecendo sensações
Do que ainda não viveu.

[Juliana Brito Rodrigues, em 22.07.2012]

10 de jul. de 2012


Fora do tempo
Conhecê-lo ao vento,
Semear sentimentos,
De encanto irrigar!

Fora do tempo
Com doçura florescer,
Inundar de querer,
De êxtase afogar!

Fora do tempo,
Tocar a face,
Sentir o beijo,
Por ilusão submergir!

[Juliana Brito Rodrigues em 09.07.2012]

30 de jun. de 2012


Parafraseando Tom Jobim, em sua composição "Wave" que diz "é impossível ser feliz sozinho" eu vos digo, não se é infeliz por ser sozinho, muitos daqueles que carregam multidões se bem soubessem levaria consigo somente aqueles que os completam.
Eu prefiro a minoria que me aconchegue num abraço do que as super lotações desprovidas de sentimentos.
Então, é possível ser feliz sozinha ou triste quando mal acompanhada, eu prefiro a primeira hipótese regada a um bom vinho, música suave, leitura de qualidade, roteiro interessante de um filme...
Porque os bons sentimentos são facilmente reconhecidos quando recíprocos.
Continuo a esperar...

[Juliana Brito Rodrigues em 30.06.2012]

18 de jun. de 2012


Eu estava contigo,
Eu sempre estive contigo,
Quando você duvidou,
Quando você mudou,
Quando você desistiu,
Eu estava presente.
Eu fiquei,
Você partiu.
E nunca mais ouviram falar do “nós”,
Agora “sós”.

[Juliana Brito Rodrigues em 18.06.2012]

13 de jun. de 2012


Como a crise de abstinência
De um entorpecente abstrato
Recordo, sinto e emudeço
Tamanha vontade daquele abraço.


[Juliana Brito Rodrigues, em 13.06.2012.]