Como acreditar
nas “juras de amor” dessa tal modernidade? Um dia se amam, se completam,
impossível viver um sem a companhia do outro, definitivamente um não vive sem o
outro. No dia seguinte aquela paixão ardente já deixou de existir a alguns
séculos, se tornou exaustiva há algum tempo, sufocante.
Não, não são hipérboles... É a mais pura verdade sobre a
“descartabilidade” dos sentimentos. Quem hoje ama, quer bem e não vive sem,
amanhã é de ninguém ou já passou a ser de outro alguém.
Apesar da beleza da rima no casamento das palavras da frase
acima, a hipótese de se sentir como copo descartável, que mata a sede, mas logo
deixa de ser útil e vira lixo, não pode ser o modo mais coerente de se
relacionar. A praticidade do descarte não pode interessar àqueles que
verdadeiramente sentem.
Mesmo em tempos absurdamente modernos e virtualizados,
os sentimentos não são negócios.
Ou você sente, ou não sente. Ou você ama, ou não ama... E até amar
requer longa prática!
[Juliana Brito Rodrigues, em 15.09.2012]
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